domingo, 8 de janeiro de 2012

Hola Granada!

Voltei. Voltei e sinto-me estranha. Sinto-me uma pessoa diferente. Parece que estas duas semanas que passei em Portugal foram dois anos e que a minha vida, durante esse espaço de tempo, mudou drasticamente.
Cheguei ontem, as 23.30, depois de 11 horas de viagem. Hoje acordei tarde e ainda não saí de casa. Nem vou sair. Não me apetece estar com ninguém. Mas elas chegam daqui a pouco e vou ter que as receber com um sorriso nos lábios. Já sei que vão querer falar sobre as férias, o Natal, a Passagem de Ano e as novidade. A mim não me apetece nada. Só me apetece estar na cama, com o meu saquinho de água quente e com o meu livro. Fazes-me Falta da Inês Pedrosa. Sim, já o li montes de vezes mas não me canso.
O pior é que tenho montes de trabalhos para fazer, coisas que tenho em atrasa há montes de tempo. Estou sem motivação. Sinto que já não pertenço aqui. Eu sei que isto vai mudar, mal reencontre a minha família Erasmus. Mas agora, neste momento, é assim que sinto.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Partida

Estou a poucas horas de partir e, na verdade, não me apetece nada. Sei que quando lá chegar, reencontrar aquela maravilhosa cidade e as encantadoras pessoas que habitam, vou ficar feliz. Mas neste momento, só quero continuar aqui, na Minha casa, no Meu espaço.
Odeio-me por isto. Odeio esta minha faceta, sempre descontente. Nunca estou bem onde estou ou com o que tenho. Ou quase nunca.
Bem, a ver se durmo um bocadinho porque, pela manhã, espera-me uma longa viagem de regresso.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

3 dias depois

Segunda-feira despedimo-nos. Era inevitável. Ele tinha que voltar à vida dele em Coimbra e eu, bem, eu também vou voltar para Granada em breve.
Três dias depois estou assim - angustiada, agoniada, melancólica. Acima de tudo, com saudades. Muitas saudades. Apesar do tempo ter sido pouco, o que vivemos foi intenso. E não me vou esquecer disso. Não me vou esquecer que ele tornou os meus dias cá em Portugal muito mais felizes. Tão felizes que a vontade incontrolável que eu tinha de voltar para Granada se foi desvanecendo, quase sem eu dar por isso.
Será que valeu a pena? Estes efémeros dias de felicidade compensam a solidão que sinto agora? Estou certa de que sim. Apesar de parecer que com a partida dele foi também uma parte de mim. Sinto muito a falta dele. Mas a verdade é que sempre senti.
Não foi um adeus. Pode também não ter sido um até já ou um até logo. Mas sei que não foi um adeus.

Até um dia.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Lá está

Ele

Dizem que eu mereço melhor. Já alguém me disse, até, que eu nas mãos dele sou só um brinquedo. Insistem em relembrar-me o que eu sofri por ele. Ao contrário do que essas pessoas pensam, eu não me esqueci do que sofri. Bem pelo contrário, tenho isso muito presente na minha vida. Eu não me esqueci que ele foi a pessoa que mais me fez sofrer em toda a minha vida e que me deixou uma ferida profunda que demorou muito tempo a sarar, cuja cicatriz vai ficar comigo para sempre. Ainda assim e, apesar de tudo isso, ele foi - sem sombra de dúvida - a melhor coisa que me aconteceu na vida. Disso ninguém fala. Ninguém fala do quanto eu fui feliz. Ninguém fala do sorriso que ele me deixa estampado na casa sempre que está comigo.
Eu não sou estúpida. Aprendi muita coisa com o que se passou da outra vez. Portanto, desta vez, já sei com quem estou a lidar. Sei que, a qualquer momento, ele pode voltar a desaparecer e eu posso ficar sem noticias dele durante mais dois anos. Por isso mesmo, agora não crio expectativas, não alimento esperanças. O que tiver de acontecer, acontecerá. Só não me digam para não estar com ele. Caramba, se ele me faz bem porque raio não hei-de estar com ele? Ainda por cima estive cá em Portugal tão pouco tempo... E as coisas boas da vida são para ser aproveitadas. Contra tudo e contra todos.
"A nossa história não acaba aqui."

2012

Pois que o ano começou da maneira mais surreal possível. A noite de passagem de ano foi tão agitada... Tanto que, quando contei à minha amiga Dé tudo o que tinha acontecido, a reacção dela foi: Foda-se, a mim nem num mês me acontecia tanta coisa!
Espanta-me como é que pessoas já na casa dos vinte são capazes de descer do tacão e fazer as maiores peixeiradas à frente de quem quer que seja. Ainda por cima sem motivo aparente. Tudo bem, a cachopa não gosta de mim. Ao que parece, ele deu-lhe com os pés por minha causa. Mas, atenção, eu nem sabia disso. E mesmo que soubesse que culpa tinha?! Já para não falar de que isso aconteceu há mais de dois anos. Entretanto ele já teve outros relacionamentos, já quase se casou. Porquê manter esse ódio todo por mim? Mas tudo bem, eu consigo viver com isso, juro que consigo. O que eu não percebo é o facto de todas as amigas dela também me odiarem. Ora bem, isso para mim já é outra coisa: infantilidade. Mas pronto, se elas fossem infantis no seio da sua amizade, a mim pouco me importava. Que façam de mim "assunto de café" quando estão todas juntas, eu não me ralo! Mas, por amor de Deus e de todos os santinhos, em plena noite de passagem de ano, armar o maior escândalo só porque ele estava comigo já é um bocadinho de mais, não? Ainda por cima não se passou nada entre nós, não houve nada de explícito. Podia perfeitamente haver, uma vez que nem ele nem eu - tanto quanto sei - devemos nada a ninguém. Mas mesmo assim, ela e as amigas perseguiram-nos a noite inteira, sem se preocuparem sequer em disfarçar. Óbvio que isso fez com que eu me sentisse desconfortável, principalmente no momento em que estávamos os dois a falar e ela chega lá, puxa-o por um braço e desata aos berros com ele. A falar de quem? De mim obviamente.
O que vale é que nem assim me conseguiram estragar a noite. Apesar destes tristes momentos, a noite valeu a pena. Estive com os meus amigos de sempre (alguns que já não via há muito tempo) e encontrei pessoas que não estava nada à espera de encontrar. E a noite acabou com ele, não da melhor forma (um pneu furado e uma jante partida) mas, ainda assim, com ele. E isso para mim é o mais importante.

Frase do Mês #24